
Técnica
Nabais-Chatow
Uma abordagem manual integrativa
A Técnica Nabais–Chaitow é uma abordagem terapêutica manual desenvolvida a partir da integração de diferentes conhecimentos, práticas e formas de compreender o organismo humano. Nasceu da procura de uma intervenção simultaneamente suave, precisa e individualizada, capaz de trabalhar o sistema músculo-esquelético respeitando os limites de cada pessoa e acompanhando continuamente a resposta do seu organismo.
Mais do que uma sequência de movimentos ou manipulações, a técnica utiliza as mãos como instrumentos de avaliação e tratamento. Através do toque, procura reconhecer alterações muito subtis dos tecidos e acompanhar a sua transformação durante a própria intervenção, adaptando aquilo que é feito ao que o corpo vai mostrando em cada momento.
O encontro com Leon Chaitow
A origem da técnica está profundamente ligada ao trabalho de Leon Chaitow. O primeiro contacto com a sua obra aconteceu durante um período de colaboração num projeto de investigação ligado à Universidade de Oxford, através de alguns dos seus livros disponíveis na biblioteca da Universidade.
A abordagem humana de Chaitow à medicina e a forma como compreendia e integrava a terapia manual despertaram imediatamente o interesse por uma maneira diferente de trabalhar o corpo. Os primeiros cinco ou seis livros deram lugar à descoberta progressiva de uma obra muito mais vasta — cerca de sete dezenas de títulos — cujo estudo viria a transformar profundamente a visão que esteve na origem da Técnica Nabais–Chaitow.
Quatro anos de procura e desenvolvimento
A técnica foi desenvolvida ao longo de aproximadamente quatro anos de estudo, observação, experimentação e prática. A experiência adquirida anteriormente com diferentes formas de massagem não proporcionava os resultados procurados, enquanto determinadas abordagens manipulativas podiam revelar-se demasiado intensas para algumas pessoas. Era necessário encontrar outro caminho.
Esse caminho passou pela integração de uma abordagem osteoterapêutica mais suave com manipulação miofascial delicada, realizada essencialmente através dos dedos, e pela incorporação de conhecimentos adquiridos ao longo de diferentes formações. Aos princípios anatómicos e fisiológicos juntaram-se conceitos provenientes das medicinas tradicionais indiana e chinesa, criando progressivamente uma forma própria de observar e trabalhar o organismo.
Diferentes conhecimentos, uma só técnica
Na Técnica Nabais–Chaitow, estes conhecimentos não são utilizados como tratamentos independentes. Osteoterapia, trabalho miofascial, Marmas, Nadis e Srotas da tradição indiana, meridianos e pontos da medicina chinesa, acupressão, Reiki e percepção energética participam numa mesma leitura integrativa da pessoa.
A opção pela acupressão permite trabalhar determinados pontos através dos dedos, sem recurso a agulhas. Os diferentes trajetos e pontos provenientes das medicinas tradicionais constituem também referências que ajudam a procurar áreas de tensão, pontos-gatilho e relações entre uma alteração localizada e manifestações sentidas noutras regiões do corpo.
É precisamente a conjugação destes conhecimentos que permite que a técnica não seja aplicada segundo uma sequência rígida. Cada pessoa apresenta um corpo diferente e cada corpo determina o caminho da intervenção.
Ver com os dedos
Uma das características fundamentais da Técnica Nabais–Chaitow é aquilo a que chamamos “ver com os dedos”. Através de uma percepção tátil desenvolvida pela experiência, as mãos procuram reconhecer alterações de resistência, tensão, elasticidade, mobilidade, dor, inflamação e outros sinais presentes nos tecidos, integrando também a dimensão energética que faz parte da abordagem.
Numa contratura, por exemplo, os dedos podem reconhecer inicialmente a alteração existente no músculo e acompanhar progressivamente a transformação da sua tensão, resistência e textura. O toque não serve, portanto, apenas para intervir: recebe continuamente informação. À medida que o tecido responde, a pressão, o movimento, o local e o tempo de contacto podem ser adaptados.
A modulação natural da dor ocupa igualmente um lugar central na técnica, sendo atribuída particular importância às endorfinas. A partir da experiência desenvolvida com a Nabais–Chaitow, a resposta sentida durante o contacto é integrada na leitura global do organismo e utilizada para acompanhar a evolução do tratamento.
Nem sempre é possível ou desejável normalizar completamente uma alteração numa única sessão. Inflamações acentuadas, alterações mais resistentes ou situações de maior complexidade podem exigir um trabalho progressivo. Saber reconhecer quando continuar e, igualmente importante, quando o organismo já recebeu o suficiente naquele momento, faz parte da própria técnica.
Uma técnica que continua a aprender
Foram necessários vários anos de prática depois do período inicial de desenvolvimento até existir segurança suficiente na aplicação da Técnica Nabais–Chaitow. Ainda hoje, cada pessoa pode apresentar uma situação diferente, levantar uma nova pergunta e obrigar a procurar outra resposta.
Por isso, a técnica não é entendida como um método fechado ou definitivamente concluído. Continua a evoluir através do estudo, da observação, da experiência clínica e da aprendizagem proporcionada por cada intervenção. Aquilo que hoje constitui a Nabais–Chaitow resulta deste percurso e de um conjunto de práticas e observações desenvolvidas ao longo dos anos, não correspondendo atualmente a um protocolo terapêutico autónomo cientificamente validado.
Essa natureza evolutiva não é uma limitação da técnica, mas parte da sua identidade: observar, questionar, aprender e voltar a observar, procurando compreender cada vez melhor aquilo que o organismo revela quando lhe damos tempo, atenção e espaço para responder.