
Naturopatia
Uma medicina que ajuda o organismo a reencontrar o seu caminho
A Naturopatia parte de uma ideia simples: o organismo humano não é uma estrutura passiva.
Todos os dias repara tecidos, cicatriza feridas, adapta-se ao ambiente, procura recuperar equilíbrios e responde continuamente às alterações que acontecem dentro e fora de si.
Mas essa capacidade não é ilimitada.
Uma alimentação inadequada, o sedentarismo, a falta de sono, o stress prolongado, fatores ambientais ou emocionais e muitos outros desequilíbrios podem, ao longo do tempo, retirar ao organismo parte das condições de que necessita para responder.
É nesse espaço que encontramos uma das ideias fundamentais da Naturopatia: não fazer pelo organismo aquilo que ele pode fazer, mas ajudá-lo a recuperar as condições necessárias para o conseguir fazer melhor.
Na Nmedicinas gostamos de pensar nesta intervenção como um trabalho de restauro.
Quando uma parede começa a ruir, não basta esconder a fissura. É necessário perceber porque apareceu, avaliar a estrutura e fornecer os materiais necessários para a reconstruir.
Na saúde acontece muitas vezes o mesmo.
Fazer a ponte entre a pessoa e o seu corpo
Pensar como naturopata não significa simplesmente utilizar plantas, alimentos ou outros recursos naturais.
Significa olhar para a pessoa como um todo e procurar compreender as relações entre aquilo que sente, a forma como vive e aquilo de que o seu organismo necessita.
Por isso, uma consulta começa muito antes de qualquer tratamento.
Queremos conhecer a medicação que a pessoa utiliza, a sua alimentação, o sono, a atividade física, a profissão, as horas que passa sentada, os seus hábitos quotidianos, o ambiente em que vive e trabalha e muitos dos pequenos comportamentos que, repetidos todos os dias, podem contribuir para a saúde ou para o seu desequilíbrio.
A Naturopatia ensinou-nos a valorizar esta conversa porque, muitas vezes, antes de tentar modificar o corpo é necessário ajudar a pessoa a compreendê-lo.
É essa uma das funções que mais valorizamos: fazer a ponte entre a pessoa e o seu próprio organismo.
Procurar causas, sem esquecer os sintomas
Um sintoma é importante.
A dor, o cansaço, uma alteração digestiva ou qualquer outro sinal merece ser ouvido e, quando necessário, aliviado.
Mas o sintoma também pode ser uma mensagem.
Por isso, além de perguntar “o que está a acontecer?”, a Naturopatia convida-nos a acrescentar outra pergunta:
“Porque poderá estar a acontecer?”
Esta mudança aparentemente pequena alarga muito o campo de observação.
A alimentação pode relacionar-se com o aparelho digestivo, mas também com a energia disponível para o organismo. O sono pode influenciar o estado físico e emocional. O stress prolongado pode repercutir-se sobre diferentes sistemas. A atividade física, a hidratação, os hábitos quotidianos e o ambiente podem participar no mesmo quadro.
Não procuramos, por isso, uma causa única para todas as situações.
Procuramos relações.
Porque uma pessoa é sempre mais complexa do que o sintoma que a trouxe até nós.
Harmonia com a Natureza
Na tradição naturopática existe um princípio antigo denominado Vis Medicatrix Naturae: a capacidade inerente ao organismo de procurar preservar e recuperar o equilíbrio quando dispõe das condições adequadas.
É também daqui que nasce a expressão “Harmonia com a Natureza”.
Para nós, natureza não significa apenas aquilo que existe fora do corpo.
O ser humano também pertence à natureza.
As suas células, tecidos, órgãos, emoções e processos bioquímicos fazem parte dela, tal como a água, os alimentos e as plantas que desde tempos antigos acompanham a humanidade.
Quando o organismo perde capacidade de resposta, o papel terapêutico pode ser comparado ao de quem ajuda a reconstruir uma casa: procurar aquilo que fragilizou a estrutura, fornecer os “tijolos” de que necessita e criar melhores condições para o trabalho de restauro.
Esses tijolos podem assumir muitas formas.
Podem ser nutrientes, alimentos ou plantas. Mas podem também ser movimento, descanso, respiração, exposição solar adequada, alteração de hábitos, conhecimento, equilíbrio emocional ou simplesmente uma melhor compreensão do próprio corpo.
Harmonia com a Natureza é, assim, muito mais do que escolher algo porque é “natural”.
É trabalhar com o organismo e não apenas sobre ele.
A cozinha como primeira farmácia
Há um princípio muito simples que utilizamos frequentemente na Nmedicinas:
“A Cozinha é a Nossa Primeira Farmácia.”
Sempre que seja possível obter através da alimentação aquilo de que o organismo necessita, começamos por aí.
Um alimento não é apenas uma soma de calorias. Fornece proteínas, lípidos, hidratos de carbono, vitaminas, minerais, fibras e muitas outras substâncias que participam diariamente no funcionamento do organismo.
Por isso, antes de recorrer à Fitoterapia, perguntamos se uma alteração alimentar pode ser suficiente.
Quando não é — porque seria necessário consumir quantidades pouco práticas, porque precisamos de uma concentração diferente ou porque o objetivo terapêutico assim o exige — podemos então recorrer às plantas medicinais e às suas preparações.
Esta sequência não coloca alimentação e Fitoterapia em competição.
Coloca-as em continuidade.
Quando uma das filhas cresce
A Fitoterapia faz historicamente parte das ferramentas da Naturopatia, mas na nossa prática acabou por adquirir uma dimensão muito maior.
É um pouco como uma personagem que nasce dentro de uma história e, com o tempo, se torna suficientemente importante para ganhar uma história própria.
A Naturopatia não ficou menor.
A Fitoterapia é que se tornou enorme.
O aprofundamento continuado do estudo das plantas medicinais, das suas preparações, constituintes, utilizações e interações levou-nos progressivamente a tratá-la como uma área própria da Nmedicinas.
E esse crescimento trouxe também uma responsabilidade importante.
Natural não significa inofensivo.
As plantas possuem substâncias biologicamente ativas, podem apresentar contraindicações e podem interagir com medicamentos ou não ser adequadas a determinadas pessoas e situações.
Por isso, a utilização terapêutica de uma planta exige conhecimento, critério e individualização — exatamente como qualquer outra intervenção destinada a produzir um efeito no organismo.
Muito mais do que plantas
Embora a alimentação e a Fitoterapia tenham adquirido um lugar particularmente importante na nossa prática, a formação naturopática é muito mais abrangente.
Ao longo de cinco anos de formação foram estudadas áreas como Fitoterapia Ocidental, Aromaterapia, Gemoterapia, Homeopatia, Iridologia, Matriz Extracelular e Terapia Anti-homotóxica, juntamente com Anatomia, Fisiologia, Bioquímica, Citologia, Farmacologia, Nutrição, Massoterapia, Osteoterapia e Exames Complementares de Diagnóstico, entre outras matérias.
Nem tudo aquilo que se aprende precisa de transformar-se numa técnica aplicada em todas as consultas.
Esse conhecimento permite sobretudo escolher.
Hoje utilizamos com maior frequência a alimentação, a Fitoterapia, técnicas respiratórias, exercício e diferentes abordagens manuais. Outros conhecimentos podem surgir como orientações sobre sono, exposição solar, hábitos quotidianos ou outros cuidados que a pessoa pode continuar em casa.
A ferramenta adapta-se à pessoa.
Não a pessoa à ferramenta.
Educação também é tratamento
Uma parte importante da Naturopatia acontece fora da marquesa.
Acontece quando explicamos porque determinado hábito pode estar a contribuir para um problema.
Quando ensinamos uma pessoa a observar aquilo que come.
Quando ajudamos a perceber a importância do movimento, do sono ou da respiração.
Quando uma orientação dada durante a consulta continua a ser aplicada em casa semanas depois.
Por isso, a educação para a saúde é um dos pilares que mais profundamente permaneceram na nossa prática.
Na Nmedicinas, essa educação não termina necessariamente quando termina a consulta. As orientações e os relatórios personalizados permitem organizar aquilo que foi observado e transformar parte do tratamento em trabalho quotidiano.
Porque cuidar não é apenas aquilo que acontece durante uma hora dentro de um consultório.
É também aquilo que a pessoa consegue levar consigo quando sai.
Uma medicina que agrega conhecimentos
Talvez uma das maiores riquezas da Naturopatia seja a sua capacidade de estabelecer pontes.
Na nossa história, ela encontrou conhecimentos que já vinham da Ayurveda, conviveu durante os mesmos anos de formação com a Medicina Tradicional Chinesa e aproximou-os de áreas como Anatomia, Fisiologia, Bioquímica, Farmacologia, Nutrição e Osteoterapia.
Por isso, não a vemos como uma caixa fechada.
Vemo-la como uma grande agregadora de conceitos.
É uma das áreas que nos ensinou a colocar conhecimentos diferentes à mesma mesa e perguntar não qual deles deve vencer, mas o que cada um nos permite compreender naquela pessoa concreta.
Na prática clínica, é precisamente essa integração que nos interessa.
Alimentos e plantas
Se fosse necessário retirar da Naturopatia quase tudo e guardar apenas aquilo que mais profundamente permaneceu na nossa forma de cuidar, sobrariam duas palavras:
Alimentos e plantas.
Talvez porque ambos acompanham o ser humano desde muito antes de existirem consultórios, laboratórios ou nomes para as diferentes medicinas.
Talvez porque representam duas das formas mais antigas de relação entre saúde e natureza.
Ou simplesmente porque, depois de muitos anos de estudo, regressamos frequentemente ao essencial:
conhecer a pessoa, compreender o organismo e dar-lhe, sempre que possível, aquilo de que necessita para voltar a fazer aquilo que sabe fazer desde o princípio — procurar o equilíbrio.