Infográfico ilustrado sobre a Reflexologia Podal e a sua aplicação na abordagem integrativa da saúde.

Reflexologia Podal

Quando os pés contam mais do que aquilo que suportam

Os pés acompanham-nos durante toda a vida. Sustentam o peso do corpo, adaptam-se ao movimento, ao terreno e à postura e acumulam tensões que muitas vezes só percebemos quando começam a doer.

Mas diferentes tradições terapêuticas aprenderam também a olhar para os pés de outra forma.

A Reflexologia Podal trabalha determinadas zonas através de pressão e massagem manual, utilizando mapas que estabelecem correspondências reflexas entre diferentes regiões dos pés e outras partes do organismo.

Na Nmedicinas, utilizamos estes conhecimentos integrados numa avaliação mais ampla da pessoa, conjugando princípios provenientes da Reflexologia Ocidental, Medicina Tradicional Chinesa e diferentes formas de trabalho manual.

Não olhamos para os pés separadamente do resto do corpo.

São apenas mais uma das formas que temos de chegar até ele.

Diferentes escolas, os mesmos pés

A Reflexologia moderna ocidental desenvolveu-se a partir de diferentes contributos, entre os quais os trabalhos de William Fitzgerald, associados à chamada Terapia Zonal, e posteriormente de Eunice Ingham, que aprofundou e sistematizou o trabalho reflexológico através dos pés.

Nesta abordagem encontramos a divisão do corpo em zonas longitudinais e diferentes mapas de correspondência utilizados para orientar o trabalho manual.

A nossa prática recebeu também uma influência importante da Medicina Tradicional Chinesa, sendo esta a perspetiva que mais utilizamos. Aos mapas reflexológicos juntam-se conceitos provenientes da MTC, como os meridianos, o Qi e os Cinco Elementos.

Podemos ainda recorrer a conhecimentos provenientes de outras abordagens manuais e integrativas quando estes ajudam a compreender aquilo que encontramos.

Não escolhemos necessariamente uma escola e excluímos as restantes.

O conhecimento torna-se mais útil quando sabemos de onde vem e o lugar que pode ocupar.

Antes do mapa está o próprio pé

Uma zona dolorosa no pé não significa automaticamente que exista uma alteração no órgão ou sistema que determinado mapa reflexológico lhe associa.

Antes de procurarmos uma correspondência, precisamos de olhar para aquilo que está realmente debaixo dos nossos dedos.

Observamos e palpamos os tecidos, procuramos tensão, sensibilidade, diferenças entre os dois pés e alterações que possam justificar localmente aquilo que estamos a encontrar.

Uma fascite plantar, por exemplo, é uma alteração do próprio pé e deve ser abordada enquanto tal. Na nossa prática, situações estruturais desta natureza são trabalhadas sobretudo através da Técnica Nabais–Chaitow e das técnicas manuais adequadas.

Quando encontramos uma resposta numa determinada zona reflexa, perguntamos primeiro:

O que estou a sentir pertence ao próprio pé ou poderá acrescentar alguma informação ao quadro global desta pessoa?

A resposta nunca depende apenas de um ponto.

O mapa não é o diagnóstico

Os mapas reflexológicos estabelecem correspondências entre determinadas regiões dos pés e diferentes partes do organismo. Essas correspondências pertencem aos modelos desenvolvidos pelas diferentes escolas de Reflexologia e não constituem relações anatómicas diretas entre o pé e os respetivos órgãos.

Por isso, não utilizamos um ponto doloroso isoladamente para diagnosticar uma doença.

Aquilo que encontramos através da palpação pode ser relacionado com sintomas já conhecidos, história clínica, observação, avaliação manual e, quando existem, exames e análises complementares.

Uma informação pode despertar uma pergunta.

Essa pergunta pode levar-nos a observar melhor.

Mas é o conjunto que orienta o raciocínio, nunca um ponto sozinho.

As mãos são o nosso instrumento

Na Reflexologia Podal utilizamos exclusivamente as mãos.

Os polegares e as pontas dos dedos permitem realizar pressão progressiva, movimentos circulares e deslizamentos, adaptando o contacto à região trabalhada, à sensibilidade da pessoa e à resposta que vamos encontrando.

Podemos utilizar óleo de amêndoas doces de primeira pressão a frio, sobretudo para facilitar o contacto e permitir um deslizamento confortável sem perder a perceção dos tecidos. Quando necessário, podem ser utilizados outros produtos adequados exclusivamente como meio de deslizamento.

Não precisamos de substituir os dedos por equipamentos.

A observação e a palpação continuam a fornecer algo particularmente valioso no trabalho manual:

contacto direto com aquilo que está a acontecer sob as nossas mãos.

Ler e tratar podem acontecer ao mesmo tempo

Na nossa prática não existe necessariamente uma fronteira entre o momento em que avaliamos e aquele em que começamos a tratar.

Ao pressionarmos ou deslizarmos os dedos sobre determinada região, sentimos simultaneamente a textura, a tensão, a sensibilidade e as alterações que ocorrem durante o próprio trabalho.

Essa informação modifica a intervenção.

Podemos permanecer mais tempo numa zona, alterar a intensidade, mudar a forma de pressão ou simplesmente perceber que aquele tecido já respondeu tanto quanto poderia naquele momento.

Por isso, palpação e tratamento podem acontecer através do mesmo gesto.

Os dedos trabalham.

E, enquanto trabalham, continuam a escutar.

Uma ferramenta dentro de um tratamento maior

Na Nmedicinas, a Reflexologia Podal não constitui habitualmente uma sessão autónoma.

Pode ocupar apenas cinco minutos de um tratamento ou prolongar-se aproximadamente até vinte e cinco, dependendo daquilo que encontramos e da razão pela qual decidimos utilizá-la.

Pode integrar-se no acompanhamento de pessoas com tensão, stress ou dificuldades de relaxamento e ser utilizada como intervenção complementar em diferentes situações, sempre dentro do enquadramento clínico global e sem substituir os cuidados médicos necessários.

Noutras situações, simplesmente não precisamos dela.

Tal como acontece com a Ventosaterapia ou a Acupressão, não iniciamos o tratamento com a obrigação de utilizar uma determinada técnica.

É a pessoa que temos à nossa frente que determina quais as ferramentas que fazem sentido naquele momento.

Reflexologia e massagem não são adversárias

Uma boa massagem aos pés pode proporcionar relaxamento, conforto e bem-estar. E não precisa de se chamar Reflexologia para ter valor.

A Reflexologia acrescenta outra dimensão ao trabalho manual: um sistema deliberado de zonas e correspondências que orienta a escolha dos locais a trabalhar e a interpretação feita dentro desse modelo terapêutico.

Isso não transforma cada zona sensível num diagnóstico, nem significa que uma massagem convencional seja inferior.

Significa simplesmente que o conhecimento da Reflexologia permite trabalhar os pés com uma intenção e um enquadramento diferentes.

Às vezes aquilo de que uma pessoa precisa é precisamente de uma boa massagem.

Noutras, aquilo que encontramos convida-nos a procurar mais fundo.

Segurança começa antes do primeiro toque

Nem todos os pés devem ser trabalhados da mesma forma e nem todas as situações são adequadas à Reflexologia.

Feridas abertas, infeções importantes, fraturas ou traumatismos recentes e alterações vasculares significativas exigem particular atenção e podem contraindicar o trabalho naquela região. Perante trombose venosa profunda conhecida ou suspeita, não realizamos este tipo de intervenção sem a adequada avaliação clínica.

A gravidez, a fragilidade da pessoa e outras condições particulares exigem igualmente uma avaliação individual e adaptação da técnica.

A intensidade nunca deve ser determinada apenas pelo ponto que queremos trabalhar.

Antes do mapa está sempre a pessoa.

Ajudar o corpo a reencontrar o caminho

Quando os nossos dedos permanecem numa determinada região, não procuramos apenas saber onde existe uma alteração.

Queremos compreender porquê aquela resposta está presente e como se relaciona com aquilo que já conhecemos daquela pessoa.

Depois procuramos intervir.

Não obrigando o organismo a responder de determinada maneira, nem esperando que uma técnica isolada resolva aquilo que pertence a um quadro muito mais complexo.

A Reflexologia Podal é apenas uma das ferramentas que podemos escolher dentro desse percurso.

Na nossa forma de cuidar, tratar não significa impor ao corpo um resultado.

Significa ajudá-lo, sempre que possível, a reencontrar o caminho para um estado de maior equilíbrio.