Infográfico ilustrado sobre a Acupressão como técnica terapêutica baseada na estimulação de pontos específicos do corpo.

Acupressão

Quando os dedos encontram os pontos

A Acupressão utiliza a pressão dos dedos sobre determinados pontos e regiões do corpo como forma de intervenção terapêutica. Partilha muitos dos pontos e princípios tradicionalmente utilizados pela Acupuntura, mas trabalha através do contacto manual, sem recorrer à introdução de agulhas.

Na Nmedicinas, a Acupressão não surgiu como uma disciplina isolada. Foi-se construindo através do encontro entre diferentes conhecimentos: Medicina Tradicional Chinesa, Ayurveda, Acupuntura Chinesa e Indiana, Auriculoterapia, Reflexologia, técnicas de massagem e trabalho miofascial.

Com o tempo, estes conhecimentos passaram também a integrar a Técnica Nabais–Chaitow, na qual a Acupressão ocupa atualmente um lugar importante.

Podemos resumir a sua utilização de uma forma muito simples: os dedos trabalham como se fossem agulhas, mas continuam simultaneamente a tocar, sentir e acompanhar os tecidos.

Pressionar também é escutar

O contacto é realizado sobretudo com as pontas dos dedos. O polegar é reservado para situações em que é necessária maior pressão e em que a região, o ponto e os tecidos permitem fazê-lo com segurança.

A forma de estimular também pode variar.

Podemos manter a ponta do dedo imóvel sobre determinado ponto ou realizar pequenos movimentos circulares. Dentro da nossa prática, a escolha depende daquilo que encontramos e do objetivo da intervenção. O movimento pode ser utilizado quando pretendemos trabalhar tensão, contraturas, zonas endurecidas ou alterações dos tecidos; a pressão estática pode ser escolhida quando procuramos atuar sobre um ponto específico ou trabalhar, segundo os modelos tradicionais, a circulação do Qi ou do Prana.

Também utilizamos princípios de tonificação e dispersão, adaptando a estimulação àquilo que pretendemos trabalhar.

Não existe necessariamente um tempo predeterminado para cada ponto. A palpação e a resposta dos tecidos ajudam-nos a perceber quando devemos continuar, modificar a pressão ou terminar.

Por isso, na nossa forma de utilizar a Acupressão, o dedo não é apenas um instrumento que exerce pressão. É também um instrumento que recebe informação.

Entre o Qi e o Prana

Grande parte dos pontos utilizados provém da Medicina Tradicional Chinesa, mas a nossa abordagem não termina aí.

Na MTC, os pontos encontram-se organizados dentro de um sistema que inclui meridianos e conceitos como Qi, Xue, Yin e Yang, Cinco Elementos e Zang-Fu. Dependendo da situação, podemos trabalhar um ponto específico ou acompanhar uma parte mais extensa do trajeto de um meridiano.

A tradição indiana acrescenta outra linguagem e outro mapa corporal. Através da Ayurveda e dos pontos Marma, encontramos regiões tradicionalmente relacionadas com a circulação do Prana e com diferentes dimensões do funcionamento do organismo.

Qi e Prana pertencem aos modelos médicos tradicionais das culturas em que estes conceitos se desenvolveram e não correspondem diretamente a estruturas anatómicas ou grandezas fisiológicas reconhecidas pela biomedicina.

Não precisamos, porém, de transformar uma tradição na outra para podermos estudá-las e utilizá-las.

Podemos conhecer mapas diferentes do corpo e compreender o lugar que cada um ocupa na tradição de onde provém.

Pontos que atravessam a nossa prática

Alguns pontos acabam por aparecer com maior frequência no nosso trabalho, não porque exista um protocolo aplicado indistintamente a todas as pessoas, mas porque as situações que encontramos em consulta nos levam repetidamente até eles.

Entre os pontos da MTC que utilizamos encontram-se IG4/Hegu, PC6/Neiguan, E36/Zusanli, VB20/Fengchi e F3/Taichong, além dos pontos Shu dorsais, particularmente importantes dentro da nossa prática.

Tradicionalmente, estes pontos possuem indicações e funções diferentes dentro da Medicina Chinesa. Alguns são utilizados em padrões associados à dor e tensão; outros em alterações digestivas, náuseas ou mal-estar; outros ainda em padrões que a MTC relaciona com stress, ansiedade, circulação do Qi ou tonificação do organismo.

Na tradição ayurvédica podemos igualmente recorrer a pontos Marma, entre os quais Adhipati, Sthapani, Hridaya, Nabhi e Kshipra, selecionados de acordo com o raciocínio desenvolvido durante a avaliação.

Estas associações devem ser entendidas no contexto dos respetivos sistemas médicos tradicionais. Um ponto não constitui, por si só, um diagnóstico nem substitui a investigação clínica necessária perante um sintoma.

Anatomia e meridianos podem encontrar-se sob o mesmo dedo

Um ponto de Acupressão não existe para nós separado do corpo onde se encontra.

Quando colocamos um dedo sobre determinada região, conhecemos também os músculos, tendões, fáscias, articulações, estruturas nervosas e vasculares que podem existir naquela área. Palpamos a consistência dos tecidos, percebemos sensibilidade, tensão e alterações da resposta durante o trabalho manual.

É aqui que a Acupressão se encontra naturalmente com a componente miofascial e com a Técnica Nabais–Chaitow.

Um determinado local pode ser relevante pela anatomia que encontramos sob os dedos e, simultaneamente, corresponder a um ponto ou trajeto descrito pela MTC ou pela Ayurveda.

Não somos obrigadas a escolher antecipadamente qual desses conhecimentos devemos esquecer.

A integração acontece precisamente quando sabemos o que estamos a observar através de cada um deles.

Uma técnica presente dentro de outras técnicas

Raramente utilizamos a Acupressão como uma intervenção isolada.

Ela pode surgir durante uma massagem, acompanhar o trabalho de uma contratura, integrar uma intervenção sobre uma cervicalgia ou lombalgia, aparecer quando trabalhamos uma cefaleia ou ser utilizada dentro de abordagens dirigidas ao stress, sono, digestão e outras situações encontradas durante o acompanhamento.

Muitas vezes, a transição é quase impercetível: os mesmos dedos que estavam a palpar ou a trabalhar manualmente um tecido encontram um ponto que pretendemos estimular e passam naturalmente para a Acupressão.

É particularmente evidente na Técnica Nabais–Chaitow, onde diferentes formas de trabalho manual se relacionam continuamente e a Acupressão constitui uma das ferramentas disponíveis.

Por isso, não pensamos primeiro: “vamos fazer Acupressão”.

Pensamos na pessoa, naquilo que encontramos e na ferramenta que naquele momento pode ajudar-nos a continuar o tratamento.

Saber onde tocar implica saber onde não tocar

O facto de não utilizarmos agulhas não torna a Acupressão indiferente às características de quem a recebe.

A região anatómica, a condição dos tecidos, lesões existentes, sensibilidade, fragilidade e outras circunstâncias clínicas devem ser consideradas antes de aplicar pressão.

A gravidez exige atenção particular. Determinadas regiões e pontos são tradicionalmente evitados ou utilizados com precauções específicas, pelo que a aplicação não deve resultar simplesmente da reprodução de um mapa ou de instruções genéricas.

O mesmo princípio aplica-se às restantes situações: conhecer um ponto não significa que ele deva ser estimulado em todas as pessoas que apresentam determinada queixa.

A segurança começa antes de os dedos tocarem no corpo.

Sem agulhas, sem perder o conhecimento

A Acupressão permite-nos conservar uma parte importante dos conhecimentos provenientes da Medicina Chinesa e da Ayurveda dentro de uma prática essencialmente manual.

Para quem não pretende recorrer à inserção de agulhas, os dedos oferecem outra possibilidade de trabalhar determinados pontos e princípios destas tradições. E acrescentam algo particularmente importante à nossa forma de tratar: mantêm o contacto direto com a pessoa durante toda a intervenção.

Sentimos os tecidos antes de pressionar. Sentimos aquilo que acontece enquanto trabalhamos. E voltamos a avaliá-los depois.

É essa continuidade que faz com que a Acupressão se tenha integrado tão naturalmente no nosso trabalho e, particularmente, na Técnica Nabais–Chaitow.

Não procuramos substituir a Acupuntura nem transformar a Acupressão numa técnica capaz de responder sozinha a todas as situações.

Procuramos preservar aquilo que estes conhecimentos podem acrescentar ao nosso modo de observar e tratar.

Porque, na Acupressão, os dedos não servem apenas para pressionar.

Servem também para escutar.