Infográfico ilustrado sobre conhecimentos complementares utilizados na abordagem integrativa da Nmedicinas.

Conhecimentos Complementares

Quando diferentes conhecimentos se encontram na mesma pessoa

Nenhuma pessoa chega à consulta dividida em disciplinas.

O corpo não separa anatomia de movimento, alimentação de digestão, tensão muscular de estado emocional ou hábitos quotidianos da forma como nos sentimos. Por isso, também o nosso olhar não pode ficar limitado a uma única perspetiva.

Na Nmedicinas, Conhecimentos Complementares representa o ponto de encontro entre diferentes medicinas, terapias e áreas de estudo que, ao longo dos anos, foram contribuindo para a nossa forma de observar, compreender e cuidar.

Não constitui uma terapia autónoma.

É o conhecimento que está presente por detrás das terapias e que nos ajuda a decidir quando, como e porquê utilizá-las.

A consulta começa antes do tratamento

A observação começa muitas vezes antes de fazermos a primeira pergunta.

A forma como uma pessoa entra, caminha, se senta ou movimenta os braços, pernas, ombros e ancas pode fornecer informação relevante. Observamos também a postura, a expressão corporal, a forma de comunicar e outros sinais que possam contribuir para compreender o quadro apresentado.

A essa observação clínica juntam-se os elementos recolhidos durante a conversa, a história da pessoa, os seus sintomas, hábitos quotidianos e, quando disponíveis, exames e análises complementares.

Diferentes tradições acrescentam ainda as suas próprias formas de observação.

Na Medicina Tradicional Chinesa podem ser consideradas, entre outras, a observação da língua e a avaliação tradicional do pulso. Na Ayurveda podem entrar conceitos como Agni, Ama e Dinacharya. Outros conhecimentos adquiridos ao longo da formação podem igualmente contribuir para aquilo que procuramos compreender.

Estes elementos são interpretados dentro dos modelos tradicionais a que pertencem e não substituem os métodos de diagnóstico da medicina convencional.

Diferentes formas de olhar

Ao longo do nosso percurso estudámos diferentes tradições médicas, com particular incidência nas medicinas Indiana, Chinesa, Tibetana, Árabe e Japonesa.

A elas juntaram-se conhecimentos provenientes de numerosas áreas, entre as quais Naturopatia, Osteopatia, Fitoterapia, Massoterapia, Acupuntura, Auriculoterapia, Alimentação Terapêutica, Aromaterapia, Yoga, Chi Kung, Tai Chi, Meditação e diferentes abordagens energéticas e manuais.

Estudar diferentes sistemas não significa considerar que todos explicam o organismo da mesma maneira, nem que possuem o mesmo tipo ou grau de evidência.

Significa conhecer diferentes perspetivas, compreender os respetivos contextos e limites e reconhecer aquilo que cada uma pode acrescentar ao raciocínio que fazemos sobre uma pessoa.

Conhecer mais não significa utilizar tudo. Significa ter mais elementos para poder escolher.

Conhecimento não vive em gavetas

Com os anos, aquilo que inicialmente aprendemos como disciplinas separadas começa naturalmente a relacionar-se.

Durante uma consulta não pensamos necessariamente: agora Medicina Chinesa, depois Ayurveda, depois Naturopatia ou Terapia Manual.

Uma observação pode recordar-nos um princípio aprendido numa área. Uma resposta dos tecidos pode levar-nos a procurar outra explicação. Um sintoma pode ganhar significado quando relacionado com um hábito quotidiano anteriormente referido.

O raciocínio vai-se construindo à medida que as informações se encontram.

É por isso que integrar conhecimento não significa simplesmente misturar técnicas.

Significa conseguir estabelecer relações entre diferentes informações sem perder a identidade, a utilidade e os limites de cada uma.

Da observação à marquesa

Quando a pessoa passa para a marquesa, todo o trabalho realizado anteriormente acompanha-nos.

A palpação acrescenta nova informação e aquilo que encontramos nos tecidos ajuda a determinar quais as técnicas manuais mais adequadas naquele momento.

Podem entrar elementos da Técnica Nabais–Chaitow, Kinesiologia, Acupressão, Reflexologia Podal ou Ventosaterapia, entre outros conhecimentos manuais já integrados na nossa prática.

Nem todas as pessoas recebem as mesmas técnicas.

Nem utilizamos todas as técnicas numa mesma consulta.

A escolha nasce daquilo que encontramos.

E, enquanto trabalhamos, continuamos a observar. A resposta do corpo pode confirmar uma decisão, obrigar-nos a modificá-la ou levar-nos por outro caminho.

Avaliação e tratamento não são necessariamente dois momentos separados.

Um continua dentro do outro.

Para além das mãos

O tratamento também não termina necessariamente na marquesa.

Aquilo que compreendemos durante a consulta pode levar-nos a considerar a Fitoterapia Integrativa, a Alimentação Terapêutica, alterações de determinados hábitos quotidianos ou outras formas de apoio adequadas à situação.

Mais uma vez, não existe uma combinação previamente definida.

Duas pessoas com uma queixa aparentemente semelhante podem precisar de abordagens diferentes porque a história, o organismo, os hábitos e aquilo que encontramos durante a avaliação também são diferentes.

É aqui que os conhecimentos complementares cumprem a sua verdadeira função:

não acrescentar mais tratamentos, mas ajudar-nos a escolher melhor.

Estudar para continuar a questionar

O conhecimento em saúde nunca está terminado.

Aquilo que aprendemos precisa de continuar a ser estudado, confrontado e revisto. Novos conhecimentos surgem, outros são reformulados e algumas ideias que durante muito tempo foram aceites acabam por ser questionadas.

Por isso, estudar não significa apenas acumular informação.

A investigação permite-nos comparar aquilo que aprendemos com aquilo que hoje sabemos, distinguir tradição de evidência científica e reconhecer honestamente aquilo que permanece por esclarecer.

Na Nmedicinas, diferentes formas de conhecimento podem coexistir sem precisarem de fingir que são a mesma coisa.

É precisamente conhecendo as suas diferenças que podemos utilizá-las com maior consciência.

Conhecer · Compreender · Integrar · Cuidar

Conhecimento, sozinho, não trata ninguém.

Precisa de encontrar uma pessoa concreta, com uma história, um corpo, circunstâncias e necessidades próprias.

Por isso procuramos primeiro conhecer.

Depois tentamos compreender aquilo que encontramos.

Integramos apenas os conhecimentos que podem acrescentar alguma coisa àquele caso.

E finalmente utilizamo-los para cuidar.

É nesse encontro entre estudo, experiência, observação e individualidade que diferentes medicinas e terapias deixam de ser áreas separadas e passam a fazer parte de um mesmo caminho.

Não se trata de utilizar tudo aquilo que sabemos.

Trata-se de saber o suficiente para escolher aquilo de que cada pessoa realmente precisa.