
Kinesiologia
Quando o corpo participa na resposta
O corpo comunica de muitas formas. Fá-lo através da dor, do movimento, da postura, da tensão muscular e de inúmeras alterações que podemos observar durante uma avaliação. Mas existem também respostas mais subtis, que podem acrescentar informação quando aprendemos a observá-las e a integrá-las no contexto de cada pessoa.
A Kinesiologia estuda tradicionalmente o movimento humano e a forma como músculos, articulações e estruturas corporais participam nesse movimento. Ao longo do tempo, desenvolveram-se diferentes vertentes e formas de utilização deste conhecimento, desde abordagens funcionais e biomecânicas até métodos que recorrem à resposta muscular como instrumento complementar de avaliação.
Na Nmedicinas, utilizamos conhecimentos provenientes da Kinesiologia Funcional, Kinesiologia Emocional e Kinesiologia Holística, bem como técnicas de Kinesio Tape, integrando-os, quando apropriado, com os restantes elementos da nossa abordagem terapêutica.
Mais do que procurar uma resposta isolada, interessa-nos perceber o que essa resposta pode acrescentar àquilo que já sabemos sobre a pessoa.
Diferentes formas de observar o mesmo organismo
A Kinesiologia Funcional permite compreender o movimento através da anatomia, fisiologia e biomecânica, observando a relação entre músculos, ossos e articulações. Esta componente encontra-se naturalmente próxima da avaliação física e do trabalho realizado através da Técnica Nabais–Chaitow.
A Kinesiologia Emocional introduz outra dimensão: a possibilidade de explorar a relação entre determinadas respostas corporais e situações de stress ou componentes emocionais que possam acompanhar uma queixa.
Na Kinesiologia Holística, a observação torna-se mais abrangente. O organismo é considerado como um conjunto de dimensões físicas, emocionais e energéticas que se influenciam mutuamente. É nesta vertente que encontramos uma das técnicas que mais utilizámos ao longo da nossa prática: o Arm Reflex, ou Reflexo do Braço.
A Kinesio Tape constitui uma aplicação diferente. Através da colocação de bandas elásticas sobre a pele, pode ser utilizada como apoio em determinadas situações musculares e articulares, procurando preservar a liberdade de movimento e complementar outras intervenções.
Cada uma destas abordagens tem características próprias. Não são utilizadas porque pertencem à Kinesiologia, mas porque, em determinado momento, podem ser úteis para aquela pessoa.
O Arm Reflex: perguntar através do corpo
Ao contrário de outros testes kinesiológicos baseados na força ou resistência muscular voluntária, o Arm Reflex utilizado na nossa abordagem é realizado com a pessoa relaxada e sem necessidade de produzir força ou executar deliberadamente uma resposta.
Tradicionalmente, o teste é efetuado com a pessoa deitada, observando pequenas alterações relativas no posicionamento dos braços e no alinhamento das mãos. Com a experiência clínica, adaptámos também a técnica à posição sentada, tornando a sua utilização mais simples para pessoas com limitações de mobilidade ou dificuldade em assumir determinadas posições.
A partir de uma sequência organizada de perguntas, observamos a resposta produzida durante o teste. Esta pode ajudar-nos a explorar diferentes possibilidades e a orientar o raciocínio para áreas que merecem posteriormente maior atenção.
Não entendemos esta informação como algo que deva existir isoladamente. É uma peça dentro de uma avaliação muito maior, que inclui a história clínica, sintomas, diagnósticos, medicação, exames, observação, avaliação física e tudo aquilo que vamos conhecendo sobre a pessoa ao longo do acompanhamento.
Corpo, emoção e energia
Quando utilizamos a Kinesiologia Holística, não procuramos separar artificialmente aquilo que, na pessoa, se encontra relacionado.
Uma manifestação física pode coexistir com uma componente emocional. Uma situação prolongada de stress pode refletir-se na tensão muscular, no sono, na digestão ou na forma como o organismo reage. Por vezes, compreender essa relação é tão importante como localizar o ponto onde existe dor.
É neste espaço que a Kinesiologia Holística pode encontrar-se com conhecimentos provenientes de outras áreas que estudámos ao longo dos anos, nomeadamente Reiki, T.I.M.E. — Terapia Informativa Multidimensional Epigenética — e diferentes conceções energéticas e espirituais.
Algumas destas perspetivas pertencem a modelos tradicionais, energéticos ou espirituais e não possuem o mesmo grau de validação científica das áreas biomédicas. Fazemos essa distinção. A sua utilização, quando ocorre, integra a experiência e o raciocínio terapêutico, sem substituir a avaliação clínica nem os meios de diagnóstico médico adequados.
Integrar diferentes conhecimentos não significa atribuir-lhes o mesmo significado nem o mesmo grau de evidência. Significa saber qual o lugar que cada um pode ocupar.
Uma ferramenta entre muitas
A Kinesiologia não determina sozinha o tratamento.
Aquilo que observamos pode ajudar-nos a decidir se devemos aprofundar determinada área, explorar uma componente emocional, realizar uma avaliação manual ou considerar outras formas de acompanhamento.
Noutras situações, aquilo que encontramos através da anamnese, da avaliação física ou dos exames é suficientemente claro e a Kinesiologia simplesmente não é necessária.
Esta liberdade é importante para nós. Uma técnica não deve ser utilizada apenas porque a conhecemos. Deve existir uma razão para a utilizar.
É por isso que a Kinesiologia pode encontrar-se, dentro do mesmo acompanhamento, com a Técnica Nabais–Chaitow, a Alimentação Terapêutica, a Fitoterapia Integrativa, o exercício ou outras abordagens. Cada instrumento acrescenta uma perspetiva diferente e nenhum deles precisa de explicar sozinho a totalidade da pessoa.
A experiência também modifica a técnica
Ao longo dos anos, a forma como utilizamos a Kinesiologia também evoluiu.
No início, a Kinesiologia Holística fazia frequentemente parte da avaliação inicial e seguíamos protocolos mais extensos e sistematizados. A experiência clínica foi tornando possível reconhecer mais rapidamente determinados padrões, selecionar melhor as situações em que o teste pode acrescentar informação e adaptar a sua realização às características de cada pessoa.
Idade, dor, mobilidade, condição muscular, fadiga e outras circunstâncias podem alterar a forma como uma resposta se manifesta. Uma pessoa idosa, por exemplo, pode apresentar movimentos muito mais subtis do que uma pessoa jovem. Por isso, a técnica não pode ser separada da experiência de quem a realiza nem das características de quem está a ser avaliado.
O mesmo princípio acompanha toda a nossa prática: protocolos ajudam-nos a organizar conhecimento, mas nunca devem fazer-nos esquecer quem está à nossa frente.
Escutar antes de concluir
Há momentos em que aquilo que uma pessoa diz, aquilo que o corpo manifesta e aquilo que encontramos na avaliação parecem apontar na mesma direção. Noutros, surgem diferenças que nos convidam a investigar melhor.
A Kinesiologia pode ser útil precisamente nesse espaço.
Não substitui uma análise clínica, um exame complementar de diagnóstico ou a avaliação de um profissional de saúde quando estes são necessários. Também não procuramos utilizá-la para transformar cada resposta corporal numa certeza.
Utilizamo-la como uma forma complementar de observação e orientação, integrada num processo em que diferentes informações são comparadas, questionadas e relacionadas antes de tomarmos decisões.
Porque cuidar de uma pessoa também implica saber observar aquilo que é evidente e permanecer atenta ao que ainda não compreendemos.
Quando aprendemos a fazer as perguntas certas, o corpo também pode ajudar-nos a encontrar o caminho para as respostas.