Sabemos o que devemos fazer. Porque não o fazemos?

Consciência

A maioria das pessoas sabe, pelo menos em teoria, o que deve fazer para cuidar melhor da sua saúde. Dormir mais horas, alimentar-se de forma equilibrada, praticar atividade física regularmente, beber água suficiente ou gerir melhor o stress são recomendações amplamente conhecidas.

No entanto, saber o que fazer nem sempre significa conseguir fazê-lo.

Esta diferença entre conhecimento e ação é uma das razões pelas quais tantas mudanças importantes acabam por ser adiadas ou abandonadas.

Saber não é o mesmo que fazer

Acreditamos muitas vezes que a falta de informação é o principal obstáculo à mudança. Contudo, na maioria dos casos, o problema não está em desconhecer o caminho, mas em conseguir percorrê-lo de forma consistente.

Uma pessoa pode saber que precisa de caminhar mais, mas sentir-se demasiado cansada ao final do dia. Pode reconhecer a importância de uma alimentação equilibrada e, ainda assim, recorrer frequentemente a escolhas menos saudáveis quando está sob pressão ou com pouco tempo disponível.

O comportamento humano é influenciado por muitos fatores que vão muito além do conhecimento.

O poder dos hábitos

Grande parte das nossas decisões diárias acontece de forma automática.

Os hábitos permitem ao cérebro poupar energia, repetindo comportamentos já conhecidos sem necessidade de reflexão constante. Por esse motivo, alterar uma rotina estabelecida pode ser mais difícil do que parece.

Muitas vezes não é falta de vontade ou disciplina. É simplesmente o resultado de padrões que foram sendo repetidos ao longo do tempo e que se tornaram automáticos.

Emoções também influenciam as escolhas

As decisões relacionadas com a saúde raramente são totalmente racionais.

O stress, a ansiedade, a frustração, o cansaço ou até a falta de motivação podem influenciar significativamente os comportamentos do dia a dia.

Quando uma pessoa atravessa períodos mais exigentes, é natural que tenha mais dificuldade em manter determinados hábitos, mesmo sabendo que eles seriam benéficos.

Por esse motivo, compreender as emoções e aprender a geri-las faz parte do processo de mudança.

A armadilha da perfeição

Outro obstáculo frequente é a procura pelo momento ideal.

Muitas pessoas adiam mudanças porque acreditam que só vale a pena começar quando tiverem mais tempo, mais energia ou melhores condições.

No entanto, esse momento perfeito raramente chega.

Esperar pelas circunstâncias ideais pode transformar-se numa forma de adiar indefinidamente aquilo que já poderia estar a ser iniciado hoje.

Pequenos passos geram grandes resultados

As mudanças mais duradouras raramente acontecem de forma radical.

Na maioria dos casos, são o resultado de pequenas ações repetidas diariamente ao longo do tempo.

Uma caminhada curta, alguns minutos de exercício, uma refeição mais equilibrada ou uma hora extra de sono podem parecer mudanças modestas. Contudo, quando realizadas de forma consistente, podem produzir resultados significativos.

A saúde constrói-se frequentemente através de pequenos passos acumulados.

A saúde é uma prática diária

Cuidar da saúde não significa ser perfeito.

Significa fazer escolhas conscientes sempre que possível e compreender que haverá dias mais fáceis e outros mais difíceis.

O importante não é acertar sempre, mas manter a direção.

Cada pequena decisão representa uma oportunidade para reforçar hábitos mais saudáveis e aproximar-nos dos objetivos que desejamos alcançar.

Nota final...

A mudança raramente acontece por falta de informação. Na maioria das vezes, acontece quando conseguimos transformar conhecimento em ação.

Saber o que devemos fazer é um passo importante, mas é a prática consistente que produz resultados reais. Pequenas mudanças, mantidas ao longo do tempo, podem ter um impacto muito maior do que grandes planos que nunca chegam a sair do papel.

Talvez a questão não seja apenas saber o que fazer, mas encontrar uma forma simples e sustentável de começar.

Bibliografia

  • World Health Organization (WHO). Health Promotion and Behaviour Change.
  • Harvard Health Publishing. Why Habits Are Hard to Change.
  • Clear J. Atomic Habits. Avery Publishing.
  • Prochaska JO, DiClemente CC. The Transtheoretical Model of Behaviour Change.
  • American Psychological Association (APA). Stress and Health.
  • Duhigg C. The Power of Habit. Random House.
  • National Institutes of Health (NIH). Behavioural Change and Health Outcomes.

Nota editorial: Imagens criadas para a Nmedicinas com apoio da IA ChatGPT (“Isa”), integrada no projeto editorial da Nmedicinas. Direitos reservados.

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